
Kratochvil
Naíma, deixei os dois livros sobre o tapeteao lado da mesinha de cabeceira.
Eu sempre alterno a leitura dos contos
de um e de outro livro.
E agora eles estão lá,
o Carver e o Shepard,
a Cidade e o Deserto, descansando.
E eu estendo a mão
procurando o interruptor do abajur
preso à parede sobre minha cabeça,
basta um toque e a noite se revelará inteira.
E com ela virá o desafio
que é o de seguir vivendo.
Meus cabelos embranqueceram.
Estou cansado.
Meus olhos ardem.
Não tenho planos para o futuro
a não ser escrever.
Já tive planos de continuar
a correr pelo Mundo,
mas neste momento nada disso importa,
porque é como se eu corresse
por dentro de mim mesmo sem parar.
Então eu penso em você.
E é só o que tenho feito
desde que nos despedimos.
E é sobre você que eu escrevo
sem nunca desenhar seu nome.
Mas você está lá, Naíma,
em todas as poesias, inteira.
E é seu nome que eu repito,
bem baixinho,
como numa oração,
todas as noites antes de dormir






